Quando as pessoas começam a frequentar a academia e percebem como os corpos esculturais são comuns nesse ambiente, muitos buscam soluções rápidas para alcançar um corpo ideal.

Entre essas está o uso de anabolizantes, uma prática comum, especialmente entre aqueles que querem ganhar massa muscular rapidamente. No entanto, o que muitos não sabem é que o uso indevido de anabolizantes pode levar ao desenvolvimento de hipogonadismo

Esse distúrbio afeta a produção de hormônios sexuais, comprometendo a vida de muitos, principalmente dos homens. Para entender mais sobre essa relação perigosa e os riscos envolvidos, continue a leitura desse texto!

Homem exibindo músculos

O impacto no sistema endócrino

Os anabolizantes são hormônios sintéticos derivados da testosterona, o principal hormônio sexual masculino, e normalmente utilizados por atletas para melhorar o desempenho físico. Mas é preciso levar alguns pontos em consideração.

Quando anabolizantes são introduzidos no corpo, eles suprimem a produção natural de testosterona pelos testículos. Isso acontece porque o corpo, ao detectar níveis elevados de testosterona sintética, sinaliza que a produção natural de testosterona não é mais necessária. E é esse processo de feedback que desregula o equilíbrio hormonal do corpo.

Para além da supressão da produção da testosterona, os anabolizantes podem causar outros problemas, como já falei no meu texto anterior. Entre esses tantos possíveis, está o hipogonadismo.

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O desenvolvimento de hipogonadismo

Com uma relação a partir do uso prolongado e abusivo dos anabolizantes, o hipogonadismo é uma condição caracterizada pela baixa produção de hormônios sexuais e tem diferentes classificações.

No primário, os testículos não funcionam adequadamente, já no secundário, é quando o problema está na estimulação inadequada dos testículos pela hipófise.

A partir daí, com o tempo, a ausência desses hormônios pode levar à atrofia dos testículos, resultando em uma produção reduzida de testosterona e espermatozoides.

Por isso, é preciso estar atento aos sintomas, que nos homens se manifesta com a diminuição significativa da libido, disfunção erétil e até uma redução notável na massa muscular e da força.

De forma não tão comum, também podem ser sinais de fadiga crônica, depressão, irritabilidade e diminuição da densidade óssea.

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As consequências para a saúde

Se não tratado, esses sintomas do hipogonadismo podem se agravar e se tornarem mais abrangentes, levando a problemas crônicos de saúde.

Uma das principais preocupações é o aumento do risco de osteoporose, isso porque a testosterona desempenha um papel crucial na manutenção da densidade óssea e, sem níveis adequados, os ossos podem se tornar frágeis e mais propensos a fraturas.

Já quando se fala da sexualidade, a falta do hormônio masculino pode causar, além de tudo que já foi dito, a infertilidade. Isso desencadeia problemas que podem afetar gravemente a qualidade de vida e o bem-estar emocional, levando a ansiedade e depressão.

Também há chances de aumento da gordura corporal, especialmente na região abdominal, e a redução da massa muscular, contribuindo para o risco de desenvolvimento de doenças metabólicas, como diabetes tipo 2 e obesidade.

Outros problemas relacionados têm a ver com a saúde cardiovascular, podendo levar pacientes a terem risco de hipertensão, dislipidemia (níveis anormais de colesterol) e outras doenças cardíacas.

Homem musculoso aplicando anabolizante no corpo

E então, que tal pensar melhor antes de usar anabolizantes?

Como deu para ver ao longo de todo o artigo, os riscos associados ao desenvolvimento de hipogonadismo são significativos e podem afetar a qualidade de vida a longo prazo.

Por isso, se você busca melhorar seu desempenho físico ou estético, primeiro, consulte um profissional de saúde para orientação adequada e opte por alternativas seguras!

Lembre-se, sua saúde é seu bem mais precioso e merece ser tratada com responsabilidade e cuidado.

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Sobre o(a) autor(a): Dra. Tallita Vieira

Médica Endocrinologista graduada pela UFCG. Realizou residência em Clínica Médica no IMIP, em Recife/PE e, em seguida, residência médica em Endocrinologia e Metabologia no HUOL/UFRN


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