O digital se entrelaça cada vez mais com a nossa vida, de uma forma que não é fácil de perceber o aumento do tempo que passamos diante das telas, no entanto, isso esconde um sério problema relacionado a nossa saúde mental.

Seja no trabalho, para entretenimento ou até nos estudos, os dispositivos digitais tornaram-se parte fundamental de nossas vidas. E, por isso, é tão necessário estarmos cientes dos impactos do seu uso intenso.

Para te esclarecer a ligação entre uso de telas e saúde mental, vou explorar essa relação, analisando desde a dependência silenciosa até os caminhos para fazer com que isso seja mais saudável. Acompanhe a leitura até o fim!

Uma dependência silenciosa

Essa dependência é sutil, principalmente em decorrência do acelerado avanço tecnológico pelo qual passamos dia após dia, o que faz muitas vezes nem ser perceptível o tempo passado à frente das telas.

Tal aumento no uso de dispositivos digitais, principalmente após a pandemia, mostrou seus impactos através de casos de nomofobia, o medo de ficar longe do celular, atingindo inclusive pessoas idosas.

E isso se explica através da relação quase intrínseca que foi criada entre humanos e a tecnologia, afinal, acabou que o seu uso se tornou um importante aliado contra a solidão nos anos pandêmicos.

No entanto, o uso excessivo tem seus fortes impactos negativos, podendo desencadear sintomas de ansiedade e depressão. É aí que o equilíbrio entre a utilidade e os impactos negativos desses dispositivos é fundamental para preservar a saúde mental.

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Idoso usando celular

Atenção para os impactos

Como falei há pouco, o uso de telas pode ter uma forte associação com os sintomas de estresse, depressão e ansiedade em diversas faixas etárias que estão surgindo no momento. E isso merece bastante atenção!

Em crianças, que crescem com esse contato direto, é possível perceber um forte nível de ligação e dependência, o que gera a probabilidade do aumento da depressão com esse vínculo. Já com os idosos, o forte consumo de conteúdos violentos e sem checagem de uma veracidade é o que mais impacta negativamente na saúde mental.

Isso tudo acontece por uma falta de gerenciamento do tempo, e esse ponto é estritamente necessário, afinal, é o controle  do tempo de tela que pode contribuir de forma positiva para reduzir o estresse e outros sintomas.

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Construindo uma relação mais saudável

Para estabelecer uma forma de uso desses dispositivos, sem sofrer com seus fortes impactos, é preciso entender o que se passa em cada situação específica e adotar estratégias conscientes.

Tudo começa com a limitação do tempo de uso de acordo com a idade, algo que deve acontecer principalmente com crianças, que não conseguem ter nenhuma noção de delimitação das horas nessa fase da vida.

Também é importante incentivar a socialização, fazendo com que essas pessoas percebam como é importante ter contato e experiências pessoalmente. Em parceria, as atividades físicas ao ar livre podem ser um passo importante nessa etapa.

Além disso, a prática de mindfulness, ou consciência plena, é outro fator contribuinte na ajuda do equilíbrio no uso digital, promovendo uma conexão mais consciente com o mundo ao seu redor e proporcionando um autoconhecimento essencial para viver bem.

Crianças vistas de cima fazendo óculos com as mãos

Para viver bem também é preciso estar offline

Um fator importante citado acima foi referente às relações presenciais, onde as pessoas podem criar conexões e entender como isso pode trazer uma riqueza ainda mais para sua vivência.

Isso encontra-se em um equilíbrio entre o mundo digital e o real, o que traz um grande bem para a manutenção de uma boa saúde mental. 

Em um planeta cada vez mais digitalizado, cultivar uma relação saudável com as telas é uma escolha consciente que impacta diretamente nossa qualidade de vida. Que possamos encontrar o equilíbrio necessário para viver bem em um mundo digitalizado!

Gostou desse conteúdo? Acompanhe meus outros artigos aqui no blog Vitta e saiba mais sobre informações e dicas sobre psiquiatria e como manter uma boa saúde mental!

Sobre o(a) autor(a): Dra. Stefânie Rodrigues

Dra. Stefânie Rodrigues é Médica Psiquiátrica, formada na Universidade Federal de Campina Grande, com residência em Psiquiatria no Hospital Municipal do Campo Limpo, em São Paulo, SP. Atualmente, realiza Pós-Graduação em Psiquiatria Infantil na POSFG (SP).


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